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Presidente do Sindicato dos Enfermeiros Marítimos afirma estarmos atualmente na melhor fase já vista.
Luiz Netto aborda as pespectivas para este setor em expansão
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Nesta entrevista, ouvimos a Luiz Alves Netto, enfermeiro aquaviário que com a experiência de quem viajou o mundo a bordo de navios, conhecendo vários países da América, Ásia, Europa e até do Extremo Oriente. E que  atualmente preside o Sindicato Nacional dos Enfermeiros da Marinha Mercante, iniciando sua vida sindical no ano 1989 como secretário geral e assumindo a presidência no ano 1995. Foi durante a sua gestão que ocorreu uma grande vitória para os profissionais enfermeiros e que mudou a história da enfermagem em alto mar: o retorno dos enfermeiros marítimos para bordo, que após uma decisão da Marinha no qual criou-se um curso de especialidade médica para oficiais, passando o cuidados de saúde nas embarcações para os mesmo de forma arbitrária, quase extinguindo o posto de enfermeiro a bordo das embarcação marítimas brasileiras.

Muitos desconhecem a história da enfermagem em alto mar. Quando e como ocorreu a fundação do sindicato?

O sindicato como tem em nosso site foi fundado em 1932 pela associação de enfermeiros, numa época aonde ainda a profissão não era regulamentada, não existia o que chamamos de hoje COFEN. Mas, existia uma classe comprometida com a profissão e foram estas mesmas pessoas que se organizaram e fundaram o nosso sindicato.

 

Como era trabalhar naquela época como enfermeiro? E qual era o papel dele?

 

Naquela época aqueles que possuíam a qualificação de enfermeiro se dirigiam a Capitania dos Portos e faziam uma inscrição e obtiam o registro de Enfermeiro da Marinha Mercante, que nos apelidados como Enfermeiro Marítimo. Esses indivíduos foram utilizados primeiramente para tripular navios mercantes da época da segunda guerra, pois precisavam muito deles e para atender a tripulação de navios cargueiros nas longas travessias.  É sabido que antigamente havia poucos recursos, a comunicação era muito difícil, a alimentação era precária, a conservação de alimento também. As pessoas adoeciam muito a bordo e estes Enfermeiros tinham a função, praticamente de um médico, vista ser o único profissional de saúde a bordo, mas com sua devida competência.

 

Mas sempre ocorreu desta maneira?

 

Não, com a evolução, passando várias décadas na verdade este curso passou a ser exigido e administrado pela delegacia de portos e costas DPC, aqui no Rio no CIAGA e em Belém no CIABA para o chamado curso de formação de enfermeiro marítimo. E quem tinha o curso superior saia com o registro na caderneta marítima de Enfermeiro e quem tinha o curso técnico ou de auxiliar saia com o registro de auxiliar de saúde como é atualmente. Mas, não havia distinção nas atribuições e o salário era igual, mesmo porque as atribuições eram a mesma. Então, funções iguais salários iguais.

  

E Quais eram os maiores obstáculos enfrentados pelos enfermeiros em alto mar?

 

Ocorria uma dificuldade muito grande de comunicação, pois não havia como hoje em dia Satélites como Inmarsat ou advento do celular. Então este Enfermeiro assumia toda a responsabilidade de acidentes e doenças ocorridas a bordo até chegar ao porto. Então ele era “médico” de bordo, tanto que era apelidado de doutor: “chama o doutor aí”.

 

Na época também tínhamos a dificuldade de segregação. Ou seja, você trabalhava quase 23 meses para conseguir tirar a primeira férias, a carência de mão de obra era muito grande e a legislação da época aplicada era CLT um pouco misturada o antigo RTM, que utilizávamos férias de 30 dias e alguns dias de repouso dependendo da categoria do navio. Por exemplo: Os navios de carga gerais tinham 30 dias de férias apenas, Os navios que transportavam containers tinham 45 dias e os navios que transportavam granes 60 dias.

 

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De que forma o sindicato atuou em benefício dos enfermeiros aquaviários?

 

Os sindicatos começaram a  negociar ano após anos com as empresas de navegação uma forma de melhorar esta segregação. Para mim, por exemplo, não tinha natal, carnaval ou aniversario de filho. Natal e carnaval para mim eram quando chagava em casa. Se eu chegasse em casa em julho eu colocava o chamado LP das escolas de samba  e pedia para minha mulher fazer rabanada e ficava comemorando as datas em julho. Isso porque as vezes eu saía do Rio e ficava quase 4 ou 5 meses fora dependendo da viajem.

 

O sindicato veio evoluindo e agregando mais 4 dias, depois mais 5 dias de repouso até que chegou o momento atual, que ´para mim é a melhor fase da marinha mercante tanto pela quantidade de vagas que esta sendo oferecida pela qualidade de vida dos que embarcam

 

E atualmente como ele vem atuando?

 

Os contratos que nós do sindicado realizamos atualmente em matéria de qualidade de vida melhorou 200% (duzentos por cento) em relação aos últimos 15 anos. Sem falar que isso reflete em aumento de salário e geralmente o tripulante não para pensar que isso reflete em salário. Pois se eu estou em casa ganhando sem trabalhar eu tive aumento. Se eu tinha que estar 12 meses do ano ganhando aquele determinado salário e agora eu tenho que estar 6 meses do ano ganha o equivalente à 12 salários, então eu estou ganhando mais. Mas este lado ninguém vê. Sem contar com o aumento

 

Explique para o nosso leitor O porquê de existir o sindicato?

 

O sindicato existe para justamente garantir isso tudo e não deixar que o salário seja aviltado. Você já imaginou se não existisse o sindicato para negociar isso aí. Vamos pegar, por exemplo, um indivíduo que trabalha num hospital particular ou mesmo num público, numa casa de saúde trabalhando 12 horas folgando 36 horas ele ganha em média R$ 750,00 se for Técnicos de enfermagem e se for enfermeiro uns R$ 1.200,00 em média. Agora eu pergunto por que o contratante iria pagar você diferente, pagando R$ 5.000,00. Ele varia isso de livre e espontânea vontade? De maneira nenhuma tanto que por diversas vezes eles tentaram eliminar algumas categorias de bordo, inclusive a dos enfermeiros. Para eles quanto mais economizar melhor. E graças ao sindicato isso já foi revertido por duas vezes.

 

Já que o sindicato fez tudo isso porque muitas pessoas fazem críticas?

 

O profissional que não conhece e não sabe a função do sindicato acha que ele é algo assistencialista ou paternalista. Que esta aqui para fornecer assistência médica, assistência odontológica, vale-transporte, ticket refeição e colônia de férias. E nos temos uma colônia de férias graças a Deus pelo esforço de nossos associados que contribuem mensalmente ao nosso sindicato e investe este dinheiro em pró da própria categoria. Mas a função do sindicato não é esta não, a obrigação do sindicato é sim, criar condições para que os associados tenham aquilo que almejam uma boa assistência médica, odontológica, que tenha condição de pagar um lazer e passear com família durante as férias. Nós temos que fazer um acordo de trabalho em que você tenha a condição de escolher o seu dentista e que a empresa pague por isso. Os acordos que nós fechamos aqui têm garantido estas condições aos trabalhadores. O sindicato esta aqui para lutar não pelo interesse de uma pessoa apenas, mas sim pelo interesse do coletivo de nossa categoria.

 

E quanto àquelas pessoas que dizem: “eu não vou me associar porque o sindicato não faz nada por mim”?

 

Pergunte a eles, estes que dizem isso porque o salário dele é aquele ali, e do amigo dele que trabalha na casa de saúde muito mais fisicamente ganha um décimo do que ele ganha. Pergunte a ele.

 

Atualmente no Brasil existem diversos profissionais de enfermagem que trabalham embarcados. Existem aqueles que são aquaviários e outros que não, como os enfermeiros do trabalho. Qual a sua visão em relação a isso? Você acha que tenha que haver obrigatoriedade dos que trabalham em alto mar serem aquaviários ou enfermeiros do trabalho?

 

Olha só, o profissional é profissional de enfermagem e cada título que se consegue dentro da are de enfermagem vem a somar no conhecimento que vai revestido em pró do melhor atendimento daqueles que precisam dos nossos serviços. Inicialmente as plataformas eram tripuladas por técnicos de enfermagem e enfermeiros do trabalho, pelo menos na bacia de campos pelo que eu saiba era assim. O que ocorre, nós do sindicato de enfermeiros da marinha mercante com o departamento jurídico entendíamos na época que as plataformas marítimas deveriam ser tripuladas por enfermeiros marítimos. Veja bem a plataforma é uma usina, uma indústria aonde existe marítimos e pessoal que não é marítimo. Mas aquelas funções que deveriam ser inerentemente exercidas por marítimos deveriam ser privilegio deles. Marinheiro tem que ser marítimo, Capitão de Manobra tem que ser marítimo e o Enfermeiro tem ser Aquaviário. Nós conseguimos junto ao Ministério do Trabalho que fosse implantado junto à plataforma marítima a garantia da navegação dos enfermeiros aquaviários.

                                                                        

 

A DPC alterou a norma e a política do sindicato é sempre de bem estar para categoria, do profissional de saúde e do chefe de família. Eu já procurei Petrobras e Marinha para tratar deste assunto e tive que entra com uma ação na Justiça Federal para tratar disso. Eu entendo que a atividade aquaviária, desenvolvida no meio aquático é do aquaviário exceto aquela de caráter especialista. coincidentemente se o enfermeiro possuir um curso de enfermagem do trabalho ótimo para empresa, ela vai ter um profissional mais qualificado ainda. Mas, eu entendo que isso é função privativa do enfermeiro aquaviário.

 

 

Qual seu sonho para enfermagem aquaviária?

 

Meu sonho é que as autoridades competentes se conscientizem que a bordo de cada navio que trafegue pela costa e pelos mares de todo mundo tenha que ter alguém que dê tranqüilidade a tripulação durante um caso de infortúnio, de um acidente ou de uma doença a bordo alguém poderá prestar o mínimo de socorro possível para esta pessoa não morrer a mingua. Este é meu sonho. Pois eu tenho certeza que eu e você se não fossemos enfermeiros e se estivéssemos a bordo de um navio, numa viajem em que sabidamente levaria 4 ou 5 dias para ver pelo menos o porto mais próximo gostaria de ter alguém ali que desse esta garantia.

 

                                                                                                    

Qual o recado que você deixa para pessoas que tem o sonho de trabalhar embarcado?

 

Eu falo por experiência própria, aqueles pretendem ser aquaviários vai ter uma vida totalmente acostumada a viver em terra começando pelo convívio social. Você tem que esquecer temporariamente as festas, as comemorações, os aniversários, nascimento de filho, natal e ano novo. Pois, você trabalhando numa plataforma pode cair em uma escala que vai estar de serviço nesta época e se estiver em navio é imprevisível pode estar em qualquer lugar do mundo e até no meio do nada, no meio do oceano. Mas, é gratificante da seguinte forma através da marinha mercante eu conheci vários países, várias culturas diferentes e financeiramente é recompensável. E um mundo que te oferece várias descobertas e lhe dá a oportunidade de melhorar a vida do seus familiares.

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Na foto: Luiz Alves Netto e Antonio Carlos Felix Pereira
 
 
SINDICATO NACIONAL DOS ENFERMEIROS DA MARINHA MERCANTE
Rua 1º de Março, 23 s 807
(21) 2221-3126 
http://sindenfmar.org

 

 
 

 

 




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